Eleição MUPE

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Abertas as inscrições para a oficina do Ibram “Museu, Memória e Cidadania” com Mário de Souza Chagas nos dias 2 e 3 de setembro

Mário de Souza Chagas é poeta, museólogo, professor da UniRio, mestre em Memória Social e doutor em Ciências Sociais. Atualmente dirige o Departamento de Processos Museais do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus). Mário Chagas e sua equipe estarão ministrando a oficina “Museu, Memória e Cidadania”, que visa a instalação de um Ponto de Memória no bairro Sítio Cercado, em Curitiba, nos dias 2 e 3 de setembro de 2009, na sede da Associação de Moradores Nossa Senhora da Luta. As inscrições podem ser realizadas por e-mail em museudeperiferia.mupe@gmail.com

Blog Vanhoni: Onde surgiu a idéia dos Pontos de Memória e qual a inscrição desta formulação nas políticas culturais brasileiras?

Mário Chagas – Os Pontos de Memória são uma especialização dos chamados Pontos de Cultura. Uma idéia que eu acho maravilhosa do então ministro Gilberto Gil. Ele mencionava a idéia do do-in antropológico. Era preciso tocar os Pontos de Cultura do Brasil para energizar esses pontos produzindo assim uma maior diversidade cultural. A medida que os Pontos de Cultura foram criados nós passamos a observar ali um trabalho de memória. Alguns deles se especializaram e se transformaram em Pontos de Memória, porque o foco de trabalho estava exatamente na memória. Muitas vezes as pessoas lidam com a memória como se ela fosse algo do passado. A memória não está no passado, ela está no presente. É a invenção do passado no tempo atual, é um olhar criativo. Sem memória não há criatividade. Não há hipótese de se criar absolutamente nada se não houver memória.

Blog Vanhoni: Qual a perspectiva de implantação dos Pontos de Memória, como é o caso do MUPE (Museu de Periferia) no Sítio Cercado, aqui em Curitiba, e que outras localidades no Brasil foram identificadas para receber este programa?

Mário Chagas – O Ministério da Cultura numa parceria com o Ministério da Justiça, desenvolveu um projeto que está no âmbito do Ibram que é o da criação de 11 Pontos de Memória no Brasil. Nós vamos fomentar o desenvolvimento desses pontos em cidades como Curitiba, no Paraná, onde vai se instalar um Ponto de Memória no bairro Sítio Cercado, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, Brasília, Belém, Porto Alegre, São Paulo e Vitória

Será uma espécie de experiência piloto para o lançamento, no ano que vêm, de um edital ainda mais ampliado para a instalação de Pontos de Memória. Eles funcionam como museus sociais. Dentro do Ibram eu estou dirigindo o Departamento de Processos Museais. Neste departamento temos uma Coordenação de Museologia Social e Educação, e ali está o trabalho com estes Pontos de Memória dentro do Ibram. Nós temos dois departamentos que estão especialmente focados nisso. O departamento dirigido pela Eneida Braga, que é o Departamento de Fomento, Difusão e Economia de Museus e o Departamento de Processos Museais.

Nós estamos mobilizados no Ibram e no Departamento de Processos Museais para o trabalho no Sítio Cercado. Vamos iniciar uma oficina chamada “Museu, Memória e Cidadania”, esta é uma oficina que tem o sentido de mobilização e sensibilização dos participantes para a temática do museu compreendido como uma tecnologia social e a idéia de um museu cooperativo. Nós estamos trabalhando fortemente na direção da construção de museus cooperativos, museus que também produzem um saber cooperativo. Um saber que não é de um indivíduo. Um museu não depende de um indivíduo, ele se constrói no coletivo. Ele precisa do coletivo.

A oficina tem esse sentido, trabalhar a temática museu e trabalhar a memória também na perspectiva da criação. Não há criatividade sem memória. A memória como uma possibilidade também de futuro. Pela memória criamos novas utopias, novos futuros e finalmente a idéia de cidadania. Tanto o museu como a memória são direitos do cidadão. Os moradores do Sítio Cercado tem direito não só a visitar os museus existentes no Paraná, no Brasil e também fora do Brasil, mais ainda, tem direito de fazer o seu próprio museu. Esta é a ideia da oficina “Museu, Memória e Cidadania”. Nós temos outras duas oficinas que são a de Plano Museológico e a de Elaboração de Projetos. Trabalheremos em Curitiba a primeira delas e estamos animados com essa possibilidade.

Lei a entrevista completa em www.vanhoni.com.br

mupe – museu de periferia do sitio cercado – reunião 04/07/2009

O encontro do MUPE no Sítio Cercado do dia 04 de Julho contou com a presença de artistas e expressões da cultura local. É a terceira reunião da comunidade visando a criação de um Ponto de Memória no bairro. Na ocasião apresentaram-se os grupos Ka-naombo, com trabalho de dança inspirado nas tradições afrodescendentes, O Resgate, um grupo de hip hop gospel, e o Grupo de Capoeira Arte Raça. O abaixo assinado solicitando uma oficina do Ibram foi encaminhado pelo mandato do deputado Angelo Vanhoni ao diretor do Departamento de Processos Museais do Ibram, Mario de Souza Chagas, que confirmou o recebimento da solicitação e pré agendou uma oficina para agosto, a qual ministrará pessoalmente, em data a ser definida.

O campo da museologia tem avançado muito no Brasil. O país contava com menos de 50 museus na primeira metade do século passado. Hoje são mais de 2.400 museus cadastrados oficialmente. O Governo Federal através dos pontos de memória tem incentivado o conceito de museu social, onde o direito à memoria se faz presente prioritariamente nas comunidades carentes, como estímulo ao fortalecimento de suas identidades culturais e usufruto da cidadania. A identificação do público com o patrimônio musealizado e sua utilização para gerar estímulos no sentido da conscientização e da ação sobre o real são hoje mais condizentes com o papel social esperado de um museu.

Grupo de Capoeira Arte Raça desenvolve trabalho social no Sitio Cercado integrando os jovens através da música e da dança

Os dois pontos de memória em funcionamento no Brasil, o MUF e o Museu da Maré, no Rio de Janeiro, estiveram em contato com a comunidade do Sítio Cercado através da visita das contadoras de histórias Afrolady e Marilene Nunes, em abril deste ano. O encontro, promovido pelo mandato do deputado Angelo Vanhoni em parceria com o Ibram, tinha por objetivo estimular os moradores do bairro a contarem a história da região, identificando seus valores culturais, apropriando-se das características e costumes locais como patrimônio comum na construção de sua identidade

A Política Nacional de Museus, que vem sendo implementada pelo Ministério da Cultura desde 2003, agora conta com um órgão específico para gerenciar e valorizar os museus em todo o país: o recém criado Instituto Brasileiro de Museus – Ibram. Programas como os Pontos de Memória são uma frente ativa da polítca museológica na área social e prioridade do novo instituto. O Rio de Janeiro será a cidade sede da 23ª Conferência Geral do Conselho Internacional de Museus (ICOM), marcada para junho de 2013. Depois da árdua disputa entre Moscou e Milão, o Rio ganhou com 53,2% dos votos apresentados pelos 170 Comitês Nacionais e 30 Comitês Internacionais de Estudos do ICOM. A decisão, tomada na sede da Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação) – em Paris – demonstra a visibilidade e o papel de liderança que o campo museológico brasileiro vem assumindo no plano internacional.

O processo de sensibilização para a criação do MUPE vem contando com o apoio logístico da Associação Nossa Senhora da Luta, da ACNAP/Casa Brasil, Associação de Moradores Vila Vitória,  e o Pontão de Cultura Soylocoporti.

No evento do dia 04 de julho fizeram se representar os seguintes grupos e Associações

Associação comuitária Vila Vitoria – movimento de mulheres

Associação de Moradores Nossa Luta

Associação de Moradores e Amigos do Bairro Novo C

Conselho Comunitario de Segurança do Sitio Cercado

Grupo de Capoeira Arte Raça

Grupo Resgate – (Hip Hop)

Casa Brasil

ACNAP – Associação Cultural de Negritude e Ação Popular

Soylocoporti – Pontão de Cultura

Fotos: Michele Torinelli

mupe – museu de periferia do sítio cercado – abaixo assinado solicita oficinas do ibram para criação de um ponto de memória na comunidade

Moradores do bairro Sítio Cercado, em Curitiba, reuniram-se na Associação Vila Vitória, no dia 22/05/2009, com o objetivo de criar um Ponto de Memória na comunidade. O encontro resultou numa lista de assinaturas solicitando uma oficina de museologia ao Instituto Brasileiro de Museus – IBRAM. Uma próxima reunião foi agendada para o dia 04 de Julho de 2009 na atual sede da ACNAP/Casa Brasil. A carta é endereçada à Mário de Souza Chagas, Coordenador de Processos Museais do IBRAM.

Os Pontos de Memória são uma iniciativa do Programa Nacional de Justiça com Cidadania – PRONASCI, uma parceria entre o Ministério da Justiça e o Ministério do Cultura – MinC. Em abril deste ano a ACNAP / Casa Brasil, no Sítio Cercado, recebeu a visita de contadores de histórias do Rio de Janeiro vinculados ao Museu da Maré e ao Museu de Favela – MUF para uma troca de experiências sobre a implantação dos Pontos de Memória em suas comunidades

Moradores do Sítio Cercado e amigos do MUPE – Museu de Periferia, presentes na reunião do dia 22/05/2009

O texto abaixo foi  lido por José Afonso Filho ( Zuca), durante a reunião na Vila Vitória em 22/05/2009. Trata-se de uma compilação de relatos sobre as primeiras familias que ali residiram e conta a história do bairro até 1987.

“O nome do atual bairro Sítio Cercado encontra a sua origem no passado de um sítio de 175 alqueires com o mesmo nome. Cercado pelas águas dos arroios da Padilha, Cercado e Boa Vista. O seu proprietário era o Sr. Laurindo Ferreira da Cruz, nascido em 22/12/1862, e casado com Maria Pereira de Andrade em 07/07/1888. A casa onde morava tinha 14 peças, era feita de pedra natural e de barro, e localizava-se onde hoje existe o conjunto de Moradias Olinda, no encontro das ruas Apucarana e Sertaneja. Além de criações de gado suíno e bovino, possuía também um pomar de laranjeiras, mimoseiras, figueiras e pessegueiros. O acesso ao sítio se dava pela linha seca através de um portão, hoje defronte a igreja de futurama. Com a morte do Sr. Laurindo em 23/05/1932, o sítio foi dividido entre os 3 filhos herdeiros: Júlia, Sezinando e Isaac. A Júlia, casada com Pedro Ferreira, ficou com a parte dos fundos do sítio, uma faixa de terra encostada no arroio Cercado. Ao Sezinando coube a parte do meio, hoje formada pelas vilas desde o Jardim Irati até o rio das Padilhas. Isaac ficou com a casa paterna e a área de frente do sítio hoje formada pela vilas Rio Negro e Santa Celeste, Isaac casou-se com dona Magdalena Claudino da Cruz que lhe deu 3 filhos: Deusita, Eurides e Isaíde. Em 1946 o Sezinando vendeu a sua parte à colônia dos Irmãos Menonitas, que para criação de gado leiteiro, distribuiu a área em faixas de terra entre os leiteiros alemães, de acordo com as condições e possibilidades de cada um. Em 1947, após a morte de sua filha Isaíde, o Isaac abandonou o sítio e se muda para o Pinheirinho onde ele constrói na entrada da estrada para Umbará uma casa e inicia o Posto de Gasolina Pinheirinho. O sítio foi entregue aos cuidados de seu agregado José Gonçalves e sua esposa Ana, que moravam numa casa localizada entre o portão e a casa original. Em 25/05/53 o Sr. Isaac F. da Cruz que já havia vendido 10 alqueires aos leiteiros alemães vende o restante da herança dele ao Sr Maciel Augusto José Bohn, Newton e Gilberto Agiber, que em sociedade começou a lotear a Vila Rio Negro. A Vila Santa Celeste será loteada já em 1972. O Sr. Domingos Campos adquiriu a chácara com a casa original, área entre as ruas Parecatu e Astorga, onde hoje se localiza o conjunto de Moradas Olinda. Em 21/04/1955, em circunstâncias bastante confusas e suspeitas, queimou a casa original. Falava-se de um suposto tesouro escondido nas paredes ou embaixo da casa. Por falta de infra-estrutura e interesse dos compradores a povoação do loteamento vai demorar bastante. Era considerada uma área sem futuro ou condições de progresso. É a partir dos anos 70, forçadas pelo êxodo rural, que milhares de famílias vindo inicialmente de Santa Catarina, depois do Norte do Paraná, vão ocupando os novos loteamentos. Os leiteiros alemães, pressionados pelo avanço da cidade, vendem as suas terras às companhias de loteamento e então vão surgindo os diversos loteamentos: Vila Americana (1968), Vila Nossa Senhora de Lourdes, Santa Joana, Jardim Tranquilo, Jardim Irati (1974), e outros. Mais tarde em 1978, a partir de uma ocupação da área por famílias sem casa surge a Vila Nova Aurora. É por fim em 1985, a partir das desapropriações feitas pela prefeitura municipal para assentamento de famílias que surgem as moradias Olinda e Del Rey. Hoje, em 1987, esta parte do Sítio Cercado conta com mais de 6 000 famílias ou 24 000 pessoas”

A memória do Sítio Cercado com seus pastos e gado continua viva através do Sr. José Gonçalves, Dona Ana e seus filhos Adis e Jorge que moram na rua Assaí, criando gado em terras alugadas fora do Sítio Cercado. Esta história foi escrita a partir de depoimentos da Dona Deusita, do Sr. Eurídes, Sr. Jango (filho da Dona Julia), o velho Maneco (empregado do Sr. Isaac) e o Sr. José Gonçalves.

fonte : Blog do deputado Angelo Vanhoni
www.vanhoni.com.br

bairro sítio cercado – curitiba – intercâmbio cultural com o museu da maré e museu de favela do rio de janeiro – troca de experiências, itineração de contadores de histórias das comunidades e incentivo a leitura

Na sexta-feira 17/04, moradores do bairro Sítio Cercado, em Curitiba, puderam ouvir histórias das comunidades da Maré e dos morros do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, do Rio de Janeiro.
A contadora de histórias Marilene Nunes e a cantora e compositora Afrolady falaram sobre os caminhos percorridos e os procedimentos que possibilitaram a criação do Museu da Maré e do MUF (Museu de Favela), instituições pioneiras no Brasil na preservação de memória das comunidades. Completando o intercâmbio proposto pelo mandato do deputado federal Angelo Vanhoni, em parceria com a Associação Cultural e Artística Iliadahomero e IPHAN, estes dois museus no Rio de janeiro receberão este mês, nos dias 24 e 29, o ator Richard Rebelo para apresentação do Canto XVI da Ilíada. O objetivo é amadurecer esta troca de experiências e incentivar em Curitiba, assim como nas comunidades do Rio, a instituição de Pontos de Memória – projeto idealizado e desenvolvido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.
O evento no Sítio Cercado foi sediado pela Associação Cultural de Negritude e Ação Popular dos Agentes de Pastorais de Negros – ACNAP / Casa Brasil.

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Marilene Nunes narrou contos publicados em livro pelo Museu da Maré e descreveu a trajetória que possibilitou a criação desta instituição em sua comunidade no Rio de Janeiro.

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Afrolady, cantora, compositora e sócia fundadora do MUF, trouxe suas experiências musicais e improvisos com o rap.

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A apresentação do coral Jubequinho, formado por jovens artistas do Sítio Cercado regidos por Sebastião Roberto Cardoso, propiciou um momento de troca cultural entre os visitantes cariocas e os moradores do bairro. O encontro foi gravado e transmitido em reportagem do programa Enfoque pela TV Educativa do Paraná

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Os Pontos de Memória tem por concepção reconstruir a memória social e coletiva a partir do cidadão, de suas origens e valores, além de criar condições para que as comunidades se transformem em protagonistas de sua própria história.

– “Se pensarmos que 90% dos museus no mundo foram criados a partir de 1946, a tarefa de refletir e ampliar a relação com essa instituição cultural chamada museu é muito recente… na nossa sociedade contemporânea museus particulares ou públicos devem ser espaços privilegiados da res pública. Pensá-los sob este prisma significa também compreendê-los como lugar de direito e cidadania, como lugar de inclusão cultural, resistência e combate a toda ordem de preconceitos, sejam eles religiosos, raciais, sexuais ou sociais. Um museu não é destinado apenas aos príncipes e suas coleções, aos curadores, aos especialistas e suas ilustrações, aos detentores do poder econômico ou aos diretores de instituições. O museu destina-se aos cidadãos e faz parte da sua função social o exercício do direito à memória, à história e à educação”
José do Nascimento Junior – diretor do Departamento de Museus e Centros Culturais do IPHAN.

fonte : Blog do deputado Angelo Vanhoni
www.vanhoni.com.br